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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Igreja a céu aberto: Pastor abre drive-thru evangélico

Igreja a céu aberto: Pastor abre drive-thru evangélico
O pastor David Ray (foto), da cidade de Lucas, Texas (EUA), abriu o Santuário a Céu Aberto. Trata-se de um drive-thru da Igreja Presbiteriana do Mestre.
No drive-thru, aos domingos pela manhã, o fiel poderá participar de um “culto alternativo”, que inclui sermão e benção. O santuário funciona no estacionamento de uma escola de ensino médio. Há uma sala na escola para os fiéis que quiserem entrar em contato entre si.
No Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus tem um drive-thru desde meados de 2010 em um templo na vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ali, não há culto, mas em menos de cinco minutos o interessado recebe uma bênção e convite para frequentar o templo. Doações são bem-vindas.

Evangélico pode praticar esportes de lutas e artes marciais? Pastores e teólogos respondem

Evangélico pode praticar esportes de lutas e artes marciais? Pastores e teólogos respondem
O MMA (Artes marciais mistas) é hoje uma das modalidades esportivas que mais cresce no mundo e também no Brasil, que por sinal possui os melhores lutadores do esporte. Com o crescimento do MMA, também vieram as criticas a modalidade, que chegou a ser banida de alguns estados nos EUA por ser muito violenta. No final de semana passado, foi realizado no Brasil o maior evento deste esporte, o UFC Rio que lotou o HSBC Arena e foi um sucesso segundo seus organizadores.
Um dos maiores lutadores do UFC é Vitor Belfort, que na maioria de suas lutas agradece a Deus após vitórias e usa o calção com o nome Jesus escrito. Declaradamente cristão, Belfort explicou em recente entrevista a ligação entre a religião e a luta dizendo que o que ele faz no octógono não é uma briga, e sim uma competição.
Além de Vitor que desta vez apenas comentou as lutas, outro atleta cristão estava no UFC, o estreante capixaba Erick Silva, que a exemplo de Belfort, entrou com o nome Jesus escrito no calção e tem como um de seus apoiadores o Senador evangélico Magno Malta.
Diante desta relação a reportagem procurou pastores e teólogos para saber o que eles pensam deste esporte. Um cristão pode praticar tal esporte? É licito ao crente em Jesus assisti-los?
“Eu não vejo embasamento bíblico favorável, mas também não vejo o contrário”, disse o pastor Ariovaldo Júnior, do Manifesto Missões Urbanas. Ele acredita que a prática hoje é mais esportiva e ”não tem mais nada a ver com os vale-tudo onde havia graça em esmurrar o outro além das condições humanas”.
Biblicamente falando, Ariovaldo Júnior diz que não há menções que condenem o esporte. “Eu gosto do UFC por celebrar um esporte que ainda não tem influências do feminismo. O feminismo determina tudo hoje em dia, até o nosso modelo de ‘cristão ideal’ está mais pra figura de uma mulher do que pra um homem de verdade. A propósito, lutas de diversos tipos foram contemporâneas de Jesus e de Paulo (que viveu inclusive em Roma), porém não vemos nenhuma recomendação contrária à prática esportiva”, diz o pastor do Ministério Sal da Terra em Uberlândia – MG.

Violência e cristianismo

Já o pastor Geremias do Couto, da Assembleia de Deus, considera o esporte inadequado para o cristão. “Respeito quem participa e assiste (a tentação é grande!), mas a violência que o caracteriza conflita com os princípios de vida do Cristianismo. Há outros esportes saudáveis que podem muito bem atender a nossa necessidade de entretenimento e, sobretudo, de cuidados físicos.”
Couto diz que pode sustentar seu posicionamento lembrando de versículos como o de Gálatas 5 que fala sobre a temperança, assim como quando Paulo fala que tudo nos é licito, mas nem tudo nos convém. “Sei que no caso desse esporte não se trata de uma agressão gratuita, por vingança ou por maldade mesmo, mas de qualquer modo é uma forma de agressão consentida. Alguém vai sair arrebentado”, diz o pastor assembleiano.
“Aquilo é selvageria”, disse o teólogo Rodrigo Weronka, ele não concorda que um cristão deva participar ou assistir esse tipo de competição. “Como chamar de esporte um negócio que visa arrebentar o oponente?”, questiona.
Weronka fala sobre a diferença entre esportes perigosos como a Fórmula 1, e esportes “brutos” como ele classifica o MMA. “Uns podem dizer que na F1 o carro pode matar o piloto, mas na F1 o objetivo não é esse. E no vale-tudo, o ‘vale tudo’ é vencer o oponente, massacrando o cara”, disse.
Ele também não utiliza nenhum fundamento bíblico para basear suas convicções, apenas diz que a prática não condiz com os valores passados pela Palavra de Deus. “Não consigo aceitar uma brutalidade como o vale-tudo como esporte ou mesmo como algo para entretenimento cristão. Mas é claro que não tem um verso ‘não lutarás MMA’, isso é uma questão contemporânea. Deduzo pelos parâmetros bíblicos do amor ao próximo que arrebentar a cabeça de um ser humano, criado por Deus, por ‘esporte’ é ridículo”.

Princípios bíblicos

Geremias do Couto também fala que o esporte em questão foge dos princípios bíblicos. “Biblia não trabalha simplesmente com regras. Ela trabalha com princípios, que devem ser aplicados nas mais diferentes circunstâncias. Há muitas outras coisas das quais a Bíblia não fala de forma explícita, mas por causa dos princípios que ela nos oferece podemos fazer bem as nossas escolhas e evitar aquilo que não glorifica a Deus. Paulo escreveu: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”, 1 Coríntios 10.31. A grande pergunta é: esse esporte glorifica a Deus?”
O mantenedor do portal apologético NAPEC vai mais longe: ”Pergunte a um cristão se uma tourada é um esporte bacana. Não, dirão em coro! Judiar do pobre animal não é certo. E a caça esportiva? não é certo!. Então seria ético arrebentar outro ser humano numa competição esportiva?”

Vale-tudo na Igreja

Weronka também critica a prática de lutas dentro da igreja, como acontece na Igreja Renascer, que chegou a ser notícia no canal NatGeo (National Geographic) por montar um ringue dentro da igreja e promover a luta como “forma de evangelismo”.
“Uns dizem que o vale-tudo pode ser uma estratégia de evangelismo, então “vale tudo” para ter os jovens ali?” questiona Weronka que não concorda com o fato de uma igreja evangélica apoiar esse tipo de esporte.
“Sob a desculpa pragmática dos ‘fins justificam os meios’ a igreja vai ficando com a cara do mundo. E se a igreja deve ficar assim, prefiro ser um esquisito e manter a ortodoxia bíblica”, critica o teólogo.
Fonte: Gospelprime

Lojas online evangélicas com promoção de produtos

Lojas online evangélicas com promoção de produtos
Há algum tempo a venda pela internet vem ganhando espaço no mercado, e com essa ascendência muitos seguimentos tem se voltado para essa tendência. As lojas evangélicas são exemplos disso, expecializadas em produtos que são direcionados ao consumidor cristão, muitas dessas lojas já têm como cliente mais atuante aquele que compra pela internet.
Comprar pela internet tem se tornado uma boa opção por vários fatores, comodidade, facilidade no pagamento e preços mais acessíveis são aspectos que acabam compensando bastante na hora de realizar a compra. Itens como livros, filmes, CDs e DVDs estão entre os mais procurados nas lojas online evangélicas e existem muitas delas que realizam com frequência promoção de produtos.
Esse mercado tem crescido não só pela praticidade mas também por ser uma opção segura na hora de comprar. Então fica a nossa dica, procure lojas online evangélicas com promoção de produtos e faça boas compras. Indicamos o site www.clubeovelhas.com.br

Evangélicos poupam dinheiro e aproveitam cada vez mais a “Compra Coletiva Gospel”

Evangélicos poupam dinheiro e aproveitam cada vez mais a “Compra Coletiva Gospel”
Uma nova oportunidade de consumo e muito mais econômica, o modelo de Compra Coletiva que chegou ao Brasil em 2010, já se tornou sucesso na internet. Com dezenas de sites espalhados pelo país, este novo segmento alcançou confiança e cumplicidade do internauta brasileiro que em menos de um ano, passou de um mero observador para um consumidor ativo, devido aos grandes descontos, além é claro da facilidade possibilitada na compra por estes portais de venda.
Pode-se dizer que a Compra Coletiva é uma espécie de “vitrine” na qual os consumidores conseguem obter descontos na compra pelo site. Estes podem variar de 30% à 90% em serviços como: são de beleza, estética, balanceamento, alinhamento, ingressos de shows, eventos, entre outros serviços.
Mas se enganam os que pensam que este segmento da internet funciona somente no meio secular. No decorrer desta trajetória, o povo evangélico se apropriou dos sites de compras coletivas e vem possibilitando ao povo evangélico que adquira produtos da linha cristã gastando valores que agradam ao público consumidor.
Um exemplo no meio gospel hoje é o Clube Ovelhas, que foi lançado há pouco tempo, o site traz não somente ofertas de livros, CDs e DVDs evangélicos, mas também descontos em roupas de marcas cristãs e parcerias com vendas ingressos para eventos gospel.
Fonte: Gospel+

Dúvidas leitura dia 37


ÊXODO 14:21-29 - Como foi que dois milhões de pessoas puderam atravessar o Mar Vermelho num tempo tão curto?
PROBLEMA: De acordo com o relato da travessia do Mar Vermelho, toda aquela multidão de israelitas fugitivos deve ter tido não mais do que 24 horas para atravessar a parte do Mar Vermelho que Deus preparou para que por ela passassem. Entretanto, de acordo com os números disponíveis, havia cerca de dois milhões de pessoas (veja Nm 1:45-46). Mas, para uma multidão desse tamanho, 24 horas não seriam suficientes para a travessia.
SOLUÇÃO: Primeiro, embora a passagem possa dar a idéia de que o tempo necessário para que a nação de Israel fizesse aquela travessia fosse curto, esta não é uma conclusão obrigatória. O texto afirma que Deus fez com que um forte vento oriental soprasse e recuasse as água "toda aquela noite" (Êx 14:21).
O versículo 22 parece indicar que logo na manhã seguinte a multidão de israelitas começou a caminhada pelo leito feito dentro do mar. O versículo 24 afirma também: "Na vigília da manhã, o Senhor... viu o acampamento dos egípcios". Finalmente, de acordo com o versículo 26, Deus disse a Moisés: "Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem sobre os egípcios". Entretanto, não há referência alguma sobre o tempo em que este comando foi dado, e não é obrigatória a conclusão de que Israel tenha completado a ultrapassagem naquela mesma manhã.
Segundo, mesmo que admitamos que a travessia tenha levado 24 horas, isso não é assim tão impossível como pode parecer. A passagem não diz que o povo cruzou o mar numa fila indiana, ou que tenham tido de passar por uma faixa de terra seca da largura de uma rodovia dos nossos dias. De fato, é muito mais provável que Deus tenha aberto uma secção de alguns quilômetros de largura no mar. Isso certamente estaria de acordo com a situação, já que é muito provável que o acampamento dos israelitas nas margens do Mar Vermelho se estendesse por uns cinco quilômetros. Quando chegou a hora de o povo marchar sobre solo seco, provavelmente eles se moveram como uma grande multidão, avançando como um exército que estivesse invadindo as linhas do inimigo.
Em Êxodo 13:18, o mar é chamado de Mar Vermelho. Em hebraico é yam suph, que pode ser traduzido por "Mar dos juncos". Esta era possivelmente uma referência a uma parte do mar bem mais ao norte do que hoje se chama Golfo de Suez. Parece ser este o caso, por várias razões. Primeiro, o Golfo de Suez não era conhecido por ter juncos. Segundo, ele é muito mais ao sul do que Pi-Hairote e Migdol, onde Israel acampou junto ao mar, de acordo com o versículo 2. Terceiro, para que Israel atingisse a extremidade mais ao norte do Golfo de Suez, eles teriam de ter atravessado uma grande extensão de deserto, e tal tipo de jornada não é indicado no texto.
O Mar de juncos não era simplesmente uma extensão de terra pantanosa e rasa. Isto é evidente por pelo menos duas razões. Primeiro, o versículo 22 afirma que quando o mar foi repartido, "as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda". Isso obviamente não aconteceria se o mar fosse apenas um pântano. Segundo, depois que os egípcios entraram pelo mar em perseguição a Israel, Deus instruiu Moisés a estender a mão sobre o mar, e as águas voltaram ao seu nível normal e "cobriram os carros e os cavalarianos de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar" (14:28). Esta não teria sido uma descrição correta se o "Mar de juncos" fosse simplesmente uma extensão de terra pantanosa e rasa.
É possível que o mar tenha sido o que se conhecia como o Lago Ballah. Este lago, embora tenha desaparecido em decorrência da construção do Canal de Suez, provavelmente não tinha mais do que 20 ou 25 quilômetros de largura. É claro que não haveria problema algum para que toda aquela multidão pudesse atravessar esta distância em um dia.
Mesmo que suponhamos que Israel tenha atravessado pela parte mais larga do Golfo de Suez, isto também não é um problema. Se admitirmos que a extensão atual do golfo é comparável com a sua extensão naquele tempo, é provável que ele tivesse, em média, não mais do que 65 quilômetros. Teria sido necessário caminhar a uma velocidade inferior a 3 quilômetros por hora para cruzar aquela extensão de 65 quilômetros em 24 horas.

Livro dos Mártires - Parte 37


O arcebispo Cranmer
O doutor Tomás Cranmer descendia de uma antiga família, e nasceu no povo de Arselacton, no condado de Northampton. Depois da usual educação escolar, foi enviado a Cambridge, e escolhido companheiro do Jesus College. Ali casou com a filha de um cavalheiro, pelo que perdeu sua condição de companheiro, e passou a ser leitor em Buckingham College, instalando a sua mulher em Dolphin Inn, sendo a patroa uma parenta dela, de onde se suscitou o falso rumor de que ele era um moço de cavalariça. Ao morrer sua mulher pouco depois, de parto, foi escolhido, para seu crédito, de novo como companheiro do colégio antes mencionado. Poucos anos depois foi elevado a professor de Teologia, e designado como um dos examinadores daqueles que estavam já prontos para ser Bachareles ou Doutores em Divindade. Era princípio seu julgar as qualificações com base mais no conhecimento que possuíam das Escrituras, que no que conheciam dos antigos padres, e por isto muitos sacerdotes papistas foram rejeitados, e outros obtiveram grandes vantagens.
Foi intensamente solicitado pelo doutor Capon para que fosse um dos companheiros na fundação do colégio do cardeal Wolsey, em Oxford, cargo que aventurou recusar. Enquanto continuou em Cambridge, se suscitou a questão do divórcio de Henrique VIII com Catarina. Naquele tempo, por causa da peste, o doutor Cranmer foi morar à casa de um tal senhor Cressy, em Waltham Abbey, cujos dois filhos foram então educados sob sua supervisão. A questão do divórcio, em contra da aprovação do rei, tinha ficado indecisa por mais de dois ou três anos, devido às intrigas dos canônigos e civis, e embora os cardeais Campeius e Wolsey foram comissionados por Roma para decidir acerca desta questão, retardaram a sentença a propósito.
Aconteceu que o doutor Gardiner (secretário) e o doutor Fox, defensores do rei neste pleito, foram à casa do senhor Cressy para alojar-se ali, enquanto o rei se alojava em Greenwich. Durante o jantar, se manteve uma conversação com o doutor Cranmer, que sugeriu que a questão de se um homem podia casar com a mulher de seu irmão ou não, podia resolver-se de forma rápida recorrendo à Palavra de Deus, e isto tanto nos tribunais ingleses como nos de qualquer nação estrangeira. O rei, inquieto ante esta demora, enviou a buscar o doutor Gardiner e o doutor Fox para consultá-los, lamentando ter que enviar outra comissão a Roma e que a questão continuasse assim dilatada sem fim. Ao contar ao rei da conversação mantida na noite anterior com o doutor Cranmer, sua majestade mandou buscá-lo, e lhe comunicou os escrúpulos de consciência acerca de seu próximo parentesco com a rainha. O doutor Cranmer aconselhou que a questão fosse remitida aos mais eruditos teólogos de Cambridge e Oxford, porquanto se sentia remisso a misturar-se com uma questão tão importante; porém o rei lhe ordenou que lhe desse seu parecer por escrito, e dirigir-se para isso ao conde de Wiltshire, que o proveria de livros e de tudo o necessário.
O senhor Cranmer obedeceu de imediato, e em sua declaração citou não só a autoridade das Escrituras, dos Concílios gerais, e dos antigos escritores, senão que manteve que o bispo de Roma não tinha autoridade alguma para deixar de lado a Palavra de Deus. O rei lhe perguntou se manter-se-ia nesta atrevida declaração, e ao responder ele em sentido afirmativo, foi enviado como embaixador a Roma, junto com o duque de Wiltshire, o doutor Stokesley, o doutor Bennet e outros, antes do qual se tratou acerca daquele matrimônio na maior parte das universidades da cristandade e dentro do reino.
Quando o Papa apresentou o polegar de seu pé para ser beijado, segundo era o costume, o conde de Wiltshire e sua companhia recusaram fazê-lo. inclusive se afirma que o cachorro spaniel do conde, atraído pelo brilho do polegar do Papa, o mordeu, com o qual sua Santidade retirou seu sagrado pé, dando um chute ao ofensor com o outro.
Ao demandar o Papa a causa desta embaixada, o conde apresentou o livro do doutor Cranmer, declarando que seus eruditos amigos tinham vindo a defendê-lo. o Papa tratou honrosamente a embaixada e marcou um dia para a discussão, que depois retrasou, como temendo o resultado da pesquisa. O conde voltou, e o doutor Cranmer, por desejo do rei, visitou o imperador, e logrou atraí-lo a sua opinião. Ao voltar o doutor a Inglaterra e morrer o doutor Warham, arcebispo de Canterbury, o doutor Cranmer foi merecidamente elevado, por desejo do doutor Warham mesmo, àquela iminente posição.
Nesta função pode dizer-se que cumpriu diligentemente o encargo de são Paulo. Diligente no cumprimento de seus deveres, acordava às cinco da manhã e prosseguia no estudo e oração até as nove; entre então e a comida se dedicava às questões temporais. Depois da comida, se alguém solicitava uma audiência, decidia suas questões com tal afabilidade que inclusive os que recebiam decisões contrárias não se sentiam totalmente frustrados. Depois jogava xadrez por uma hora, ou contemplava como outros jogavam, a às cinco ouvia a Oração Comum, e desde então até o jantar se recreava passeando. Durante seu jantar sua conversação era vivaz e entretida; de novo passeava ou se entretinha até as nove, e depois se dirigia a seu escritório.
Teve a mais alta estima e favor do rei Henrique, e sempre teve dentro de seu coração a pureza e os interesses da Igreja de Inglaterra. Seu temperamento manso e perdoador se registra com o seguinte exemplo: um sacerdote ignorante, no campo, tinha chamado a Cranmer de moço de cavalariça, e se havia referido de forma muito depreciativa à sua cultura. Ao sabê-lo lorde Cromwell, aquele homem foi enviado ao cárcere do fleet, e seu caso foi apresentado diante do arcebispo por um tal senhor Chertsey, um mercador, parente do sacerdote. Sua graça, fazendo chamar o ofensor, arrazoou com ele e pediu ao sacerdote que lhe perguntasse sobre qualquer assunto de erudição. A isto se negou o homem, vencido pela cordialidade do arcebispo e sabendo de sua própria e patente incapacidade, e lhe pediu perdão, que lhe foi concedido de imediato, com a ordem de que empregasse melhor seu tempo quando voltasse a sua paróquia. Cromwell sentiu-se muito ofendido pela indulgência mostrada, mas o bispo estava mais disposto a receber insultos que a vingar-se de qualquer outra maneira que com bons conselhos e bons ofícios.
Para o tempo em que Cranmer foi ascendido a arcebispo, era capelão do rei e arquidiácono [1] de Taunton; foi também constituído pelo Papa penitenciário geral da Inglaterra. O rei considerou que Cranmer seria obsequioso, e por isso este casou o rei com Ana Bolena, celebrou a coroação dela, foi padrinho de Elizabete, o primeiro fruto do matrimônio, e divorciou o rei de Catarina. Embora Cranmer fosse confirmado em sua dignidade pelo Papa, sempre protestou contra reconhecer qualquer outra autoridade que a do rei, e persistiu nos mesmos sentimentos de independência quando foi feito comparecer ante os comissionados de Maria em 1555.
Um dos primeiros passos após o divórcio foi impedir a predicação em toda sua diocese, mas esta estreita medida tinha uma finalidade mais política que religiosa, porquanto havia muitos que denegriam a conduta do rei. Em sua nova dignidade, Cranmer suscitou a questão da supremacia, e com seus argumentos poderosos e justos induziu o parlamento a "dar ao César o que é do César". Durante a residência de Cranmer na Alemanha em 1531 conheceu a Osiandro em Nuremberg, e casou com sua sobrinha, mas a deixou com ele ao voltar a Inglaterra. Depois de um tempo a fez vir privadamente, e ficou com ele até o ano 1539, quando os Seis Artigos o obrigaram a devolvê-la a seus amigos por um tempo.
Deveríamos lembrar que Osiandro, tendo logrado a aprovação de seu amigo Cranmer, publicou a laboriosa obra da Harmonia dos Evangelhos em 1537. Em 1534, o arcebispo alcançou o mais querido objetivo de seu coração, a eliminação de todos os obstáculos para a consumação da Reforma, mediante a subscrição por parte dos nobres e dos bispos à única supremacia do rei. Somente se opuseram o bispo Fisher e Sir Tomás More. Cranmer estava disposto a considerar suficiente o acordo deles a não opor-se à sucessão, mas o monarca queria uma concessão total.
Não muito tempo depois, Gardiner, numa conversação privada com o rei, falou mal de Cranmer (a quem odiava malignamente), por ter aceitado o título de primado de toda a Inglaterra, como depreciativo da supremacia do rei. Isto suscitou fortes ciúmes contra Cranmer, e sua tradução da Bíblia foi fortemente oposta por Stokesley, bispo de Londres. Se diz que ao ser despedida a Rainha Catarina, sua sucessora Ana Bolena se gozou. Isto é uma lição de quão superficial é o juízo humano, porquanto a execução desta última teve lugar na primavera do ano seguinte, e o rei, no dia seguinte da decapitação desta dama sacrificada, casou com a bela Jane Seymour, dama de honra da defunta rainha. Cranmer foi sempre amigo de Ana Bolena, mas era perigoso opor-se à vontade daquele tirânico e carnal monarca.
Em 1538 se expuseram publicamente as Sagradas Escrituras para a venda, e os lugares de culto se enchiam de multidões para escutar a exposição de suas santas doutrinas. Ao passar o rei como lei os famosos Seis Artigos, que voltavam de novo quase a estabelecer os artigos essenciais do credo romanista, Cranmer resplandeceu com todo o brilho de um patriota cristão, resistindo as doutrinas contidas neles, no que foi apoiado pelos bispos de Sarum, Woreester, Ely e Rochester, demitindo os dois primeiros de seus bispados. O rei, embora agora oposto a Cranmer, continuava reverenciando a sinceridade que marcava sua conduta. A morte do bom amigo de Cranmer, lorde Cromwell, na Torre em 1540, foi um forte golpe para a vacilante causa protestante, porém inclusive agora, ainda vendo a maré contrária total à causa de verdade, Cranmer se apresentou pessoalmente ante o rei e conseguiu, com seus varonis e cordiais argumentos, que o Livro dos Artigos fosse deixado de lado, para confusão de seus inimigos, que tinham considerado sua queda como inevitável.
Cranmer viveu agora de um modo tão escuro como lhe foi possível, até que o rancor de Winchester o levou à apresentação de umas denúncias contra ele,a respeito das perigosas opiniões ensinadas em sua família, junto com outras acusações de traição. Estas as apresentou o Pai rei a Cranmer, e acreditando firmemente na fidelidade e nos protestos de inocência do acusado prelado, fez investigar a fundo a questão, e se descobriu que Winchester o doutor Lenden, junto com Thompton e Barber, dois domésticos do bispo, resultaram, por papéis obtidos, ser os verdadeiros conspiradores. O gentil e perdoador Cranmer teria gostado de interceder por toda remissão de castigo se Henrique, comprazido com o subsídio votado pelo Parlamento, não os tivesse deixado livres. Mas estes nefastos homens voltaram iniciar suas tramas contra Cranmer, caindo vítimas do ressentimento do rei, e Gardiner perdeu para sempre sua confiança. Sir G. Gostwick apresentou pouco depois acusações contra o arcebispo, que Henrique esmagou, e que o primado esteve disposto a perdoar.
Em 1544 foi queimado o palácio arzobispal de Canterbury, e seu cunhado e outros morreram no incêndio. Estas várias aflições podem servir-nos para reconciliar-nos com um humilde estado, porque, de que felicidade podia vangloriar-se este homem, porquanto sua vida estava sendo constantemente carregada, bem com cruzes políticas, religiosas ou naturais? Outra vez o implacável Gardiner apresentou graves acusações contra o manso arcebispo, e teria desejado mandá-lo à Torre; porém o rei era seu amigo, lhe deu seu selo para defender-se, e no Conselho não somente declarou que o bispo era um dos homens de melhor caráter de seu reino, senão que repreendeu azedamente os acusadores por sua calúnia.
Tendo-se assinado a paz, Henrique e o rei francês Henrique o Grande mostraram unanimidade na abolição da missa em seus reinos, e Cranmer se lançou nesta grande tarefa; porém a morte do monarca inglês em 1546 levou à suspensão desta ação, e o rei Eduardo VI, seu sucessor, confirmou a Cranmer nas mesmas funções; em sua coroação lhe encomendou uma tarefa que sempre honrará sua memória, por sua pureza, liberdade e verdade. Durante este reinado continuou efetuando a gloriosa Reforma com um zelo incansável, até no ano 1552, quando se viu açoitado por umas severas febres, aflição da qual aprouve a Deus restaurá-lo, para que pudesse testemunhar com sua morte da verdade daquela semente que havia plantado tão diligentemente.
A morte de Eduardo, em 1553, expus a Cranmer a toda a fúria de seus inimigos. Embora o arcebispo estava entre os que haviam apoiado a ascensão de Maria, foi arrestado ao reunir-se o parlamento, e em novembro foi declarado culpável de alta traição em Guildhall, e degradado de suas dignidades. Enviou uma humilde carta a Maria, explicando a causa de sua assinatura do testamento em favor de Eduardo, e em 1554 escreveu ao Conselho, a quem pressionou a pedir perdão à rainha, mediante uma carta entregada ao doutor Weston, mas este a abriu e, ao ler seu conteúdo, cometeu a baixeza de devolvê-la.
A traição era uma acusação totalmente inaplicável contra Cranmer, quem havia apoiado o direito da rainha, enquanto outros, que haviam favorecido a lady Jane foram liberados mediante o pagamento de uma pequena multa. Agora se espalhou contra Cranmer uma calúnia de que havia acedido a certas cerimônias papistas para congraçar-se com a rainha, o que ousou negar em público, justificando seus artigos de fé. A ativa parte que o prelado tivera no divórcio da mãe de Maria sempre tinha ficado profundamente encravada no coração da rainha, e a vingança foi um rasgo destacado na morte de Cranmer.
Nesta obra temos mencionado as disputas públicas em Oxford, nas que os talentos de Cranmer, Ridley e Latimer se mostraram de maneira tão patente, e que levaram à sua condena. A primeira sentença foi ilegal, porquanto o poder usurpado do Papa não tinha sido restabelecido de forma legal.
Deixados no cárcere até que isto esteve em último lugar, se enviou uma comissão desde Roma, designando o doutor Brooks como representante de Sua Santidade, e os doutores Story e Martin como os da rainha. Cranmer estava disposto a submeter-se à autoridade dos doutores Story e Martin, mas objetou a do doutor Brooks. Tais foram as observações e contestações de Cranmer, após um longo interrogatório, que o doutor Brooks comentou: "Viemos interrogar-vos a vós, e para que sois vós que nos interroga".
Enviado de novo a seu encerro, recebeu uma citação para comparecer em Roma após dezoito dias; mas isto lhe era impossível, porquanto estava encarcerado na Inglaterra, e como disse, ainda que tivesse estado livre, era demasiado pobre para pagar um advogado. Por absurdo que pareça, Cranmer foi condenado em Roma, e o 14 de fevereiro de 1556 se designou uma nova comissão pela qual foram estabelecidos Thirlby, bispo de Ely, e Bonner, de Londres, para agir em juízo em Christ Church, Oxford. Em virtude deste tribunal, Cranmer foi degradado gradualmente, colocando-lhe uns míseros farrapos para representar as vestes de um arcebispo. Tirando-lhe depois estas roupas, lhe arrancaram a própria toga, e lhe colocaram acima uma velha; isto o suportou imperturbável, e seus inimigos, ao ver que a severidade somente o deixava mais decidido, tentaram o caminho oposto, e o alojaram em casa do arquidiácono do Christ Church, onde foi tratado com todas as contemplações.
Isto constituiu tal contraste com os três anos de duro encerro que havia sofrido que lhe fez baixar a guarda. Seu natural aberto e generoso era mais susceptível a ser seduzido por uma conduta liberal que por ameaças e correntes. Quando Satanás vê a um cristão a prova contra todo ataque, tento outro. E que forma há mais sedutora que os sorrisos, as recompensas e o poder, depois de um encarceramento longo e penoso? Assim aconteceu com Cranmer; seus inimigos lhe prometeram sua anterior grandeza se se desdizia, e também o favor da rainha, e isto quando já sabiam que sua morte tinha sido decidida no Conselho. Para suavizar o caminho para a apostasia, o primeiro documento que lhe apresentaram para assinar estava redigido em termos gerais; uma vez assinado, outros cinco lhe foram sucessivamente apresentados como explicativos do primeiro, até que no final assinou este detestável documento: "Eu, Tomás Cranmer, anterior arcebispo de Canterbury, renuncio, aborreço e detesto toda forma de heresias e erros de Lutero e Zuínglio, e todos os outros ensinos contrários com a sã e verdadeira doutrinária. E creio com toda constância em meu coração, e confesso com minha boca, uma igreja santa e católica visível, fora da qual não há salvação; e por isso reconheço o bispo de Roma como o supremo cabeça na terra, a quem reconheço como o mais elevado bispo e Papa, e vicário de Cristo, a quem deveriam sujeitar-se todas as pessoas cristãs".
"No que respeita aos sacramentos, creio e adoro no sacramento do altar o corpo e o sangue de Cristo, contidos bem verdadeiramente sob as forma de pão e vinho; sendo o pão, pelo infinito poder de Deus, transformado no corpo de nosso Salvador Jesus Cristo, e o vinho em seu sangue".
"E nos outros seis sacramentos também (como neste) creio e mantenho como o mantém a Igreja universal, e como o julga e determina a Igreja de Roma".
"Creio também que há um lugar de purgação, onde as almas dos defuntos são desterradas por um tempo, pelas quais a Igreja ora piedosa e sadiamente, como também honra os santos e faz orações aos mesmos".
"Finalmente, em todas as coisas professo que não creio de outra forma que o que mantém e ensina a Igreja Católica e a Igreja de Roma. Sinto ter jamais mantido ou pensado coisa diferente. E rogo ao Deus Onipotente que em sua misericórdia me outorgue o perdão por tudo o que tenho ofendido contra Deus ou sua Igreja, e também desejo e rogo a todos os cristãos que orem por mim".
"E que todos os que têm sido enganados já por meu exemplo, já pela minha doutrina, lhes demando, pelo sangue de Jesus Cristo, que voltem à unidade da Igreja, para que todos sejamos de um pensar, sem cismas nem divisões".
"E para concluir, tal como me submeto à Católica Igreja de Cristo, e a sua suprema cabeça, do mesmo modo me submeto a suas mais excelentes majestades Felipe e Maria, rei e rainha deste reino de Inglaterra, etc., e a todas suas outras leis e decretos, estando sempre como fiel súbdito presto a obedecê-lhes. E Deus é testemunha que tenho feito isto não pelo favor ou temor de ninguém, senão voluntariamente, e por minha própria consciência, em quando a instruções de outros".
"O que pensa estar firme, olhe que não caia", disse o apóstolo, e esta foi certamente uma queda! Os papistas tinham agora triunfado de vez, obtendo dele tudo o que queriam aparte de sua vida. Sua retratação foi imediatamente impressa e dispersada, para que surtisse seu efeito sobre os atônitos protestantes. Mas Deus predominou sobre todos os desígnios dos católicos pela sanha com a que executaram implacáveis a perseguição de sua presa. É indubitável que o amor à vida foi o que induziu a Cranmer a assinar a anterior declaração; porém pode-se dizer que a morte teria sido preferível para ele que a vida, estando sob o aguilhão de uma consciência violada e do menosprezo de cada cristão evangélico; e esta ação a sentiu com toda sua força e angústia.
A vingança da rainha somente podia ser satisfeita com o sangue de Cranmer, e portanto ela escreveu uma ordem ao doutor Pole para que preparasse um sermão que devia ser predicado o 21 de março, diretamente antes do martírio, em St. Mary's, Oxford. O doutor Pole o visitou uns dias antes, e o induziu a acreditar que proclamaria publicamente suas crenças como confirmação dos artigos que tinha assinado. Por volta das 9 da manhã do dia da imolação, os comissionados da rainha, acompanhados pelos magistrados, levaram o gentil e infortunado homem à Igreja de St. Mary's. Seu hábito esfarrapado e sujo, o mesmo com o qual o vestiram quando o degradaram, excitou a compaixão da gente. Na igreja encontrou uma pobre e mísera plataforma, levantada justo diante do púlpito, onde o deixaram, e ali voltou o rosto e orou fervorosamente a Deus.
A igreja estava repleta de pessoas de ambas convicções, esperando ouvir uma justificação de sua recente apostasia; os católicos regozijando-se, e os protestantes profundamente feridos em seu espírito ante o engano do coração humano. O doutor Pole denunciou em seu sermão a Cranmer como culpável dos mais atrozes crimes; alentou o enganado sofredor a não temer a morte, nem a duvidar do apoio de Deus em seus tormentos, nem de que se diriam missas por ele em todas as igrejas de Oxford para o descanso de sua alma. Depois o doutor observou sua conversão, a qual atribuiu à evidente operação do poder do Onipotente, e a fim de que a gente se convencesse de sua realidade, pediu ao prisioneiro que lhes desse um sinal. E Cranmer o fez, rogando a congregação que orassem por ele, porque tinha cometido muitos e graves pecados; porém de todos eles havia um que gravitava pesadamente sobre ele, do qual falaria em breve.
Durante o sermão, Cranmer chorou amargas lágrimas, levantando as mãos e o olhar ao céu e deixando-as cair, como se indigno de viver; sua dor encontrou agora seu alívio nas palavras; antes de sua confissão caiu de joelhos, e com as seguintes palavras desvelou a profunda convicção e agitação que moviam sua alma.
"Oh, Pai do céu! Oh, Filho de Deus, Redentor do mundo! Oh, Espírito Santo, três pessoas num Deus! tem misericórdia de mim, o mais miserável dos covardes e pecadores. Pequei tanto contra o céu como contra a terra, mais do que minha língua possa expressar. Aonde posso ir, ou aonde posso fugir? Ao céu posso estar envergonhado de levantar meus olhos, e na terra não acho lugar onde refugiar-me nem quem me socorra. A ti, pois, corro, Senhor; ante ti me humilho, dizendo: oh, Senhor, meu Deus, meus pecados são grandes, mas tem misericórdia Tu de mim por tua grande misericórdia. O grande mistério de que Deus se fizesse homem não teve lugar por pequenas ou poucas ofensas. Tu não nos deste a teu Filho, ó Pai celestial, à morte somente por pequenos pecados, senão pelos maiores pecados do mundo, para que o pecador possa voltar a ti de todo coração, como eu o faço agora. Por isso, tem misericórdia de mim, oh, Deus, cuja qualidade é sempre ter misericórdia, tem misericórdia de mim, oh, Senhor, por tua grande misericórdia. Nada anelo por meus próprios méritos, senão por causa de teu nome, para que seja por isso santificado, e por causa de teu amado Filho, Jesus Cristo. E agora, pois, Pai nosso que estás no céu, santificado seja teu nome..." etc.
Depois, levantando-se disse que desejava antes de sua morte fazer algumas piedosas observações pelas que Deus pudesse ser glorificado, e eles mesmos edificados. Depois falou acerca do perigo do amor pelo mundo, do dever da obediência a suas majestades, do amor de uns pelos outros, e da necessidade de que os ricos ministrassem para as necessidades dos pobres. Citou os três versículos do quinto capítulo de Tiago, e então prosseguiu: "Que os ricos ponderem bem estas três sentenças: porque se jamais tiveram ocasião de mostrar sua caridade, a têm agora neste tempo presente, havendo tantos pobres, e sendo tão caros os alimentos".
"E agora, porquanto tem chegado o fim de minha vida, no qual pende toda minha vida passada e a minha vida vindoura, bem para viver com meu Senhor Cristo para sempre com gozo, ou bem para estar em penas sempiternas com os malvados no inferno, e enxergo agora com meus olhos, neste momento, o céu pronto para receber-me, ou o inferno prestes a engolir-me; por isso vos exporei minha própria fé que acredito, sem cores nem engano algum, porque não é agora o momento de enganar, seja o que for que tenha escrito em tempos passados".
"Primeiro, creio em Deus o Pai Onipotente, Criador dos céus e da terra, etc. e creio cada um dos artigos da fé católica, cada palavra e frase ensinada por nosso Salvador Jesus Cristo, seus apóstolos e profetas, no Novo e Antigo Testamento".
"E agora chego ao que tanto perturba minha consciência, mais que nada do que tenha feito ou falado em toda minha vida, e é a difusão de um escrito contrário à verdade que aqui agora renuncio e recuso como coisas escritas por minha mão em contra da verdade que pensava em meu coração, e escritas por temor à morte, e para salvar minha vida se isso for possível; e se trata de todos aqueles documentos e papéis escritos ou assinados por minha mão desde minha degradação nos que tenho escrito muitas coisas falsas. E porquanto minha mão tem ofendido, escrevendo em contra de meu coração, por isso minha mão será a primeira em ser castigada; porque quando chegue ao fogo será o primeiro em ser queimado".
"Em quanto ao Papa, o rejeito como inimigo de Cristo e Anticristo, com todas suas falsas doutrinas".
Ao concluir esta inesperada declaração, se respirava assombro e indignação em todos os cantos da igreja. Os católicos estavam totalmente confundidos, frustrados totalmente em seu intento, tendo Cranmer, a semelhança de Sansão, causado uma maior ruína sobre seus inimigos na hora da morte que em sua vida.
Cranmer teria desejado prosseguir em sua denuncia das doutrinas papistas, porém os murmúrios dos idólatras afogaram sua voz, e o predicador deu ordem de "Levai este herege!". A selvagem ordem foi obedecida diretamente, e o cordeiro a pastor de sofrer foi arrancado de sua plataforma para ser levado ao matadouro, xingado a todo o longo do caminho, injuriado e escarnecido por aquela praga de monges e frades.
Com os pensamentos centrados num objeto muito mais elevado que as vãs ameaças dos homens, chegou ao lugar maculado com o sangue de Ridley e Latimer. Ali se ajoelhou para um breve tempo de fervorosa devoção, e depois se levantou, para tirar a roupa e preparar-se para o fogo. Dois frades que tinham participado da operação de lograr sua abjuração trataram agora de voltar a afastá-lo da verdade, mas ele se mostrou firme e inamovível no que acabava de professar e de ensinar em público. Lhe colocaram uma corrente para amarrá-lo à estaca, e depois de tê-lo rodeado ferreamente com ela, acenderam a fogueira, e as labaredas começaram a subir.
Então se fizeram manifestos os gloriosos sentimentos do mártir, quem, estendendo sua mão direita, a manteve tenazmente sobre o fogo até ficar reduzida a cinzas, incluso antes que seu corpo fosse danificado, exclamando com freqüência: "Esta indigna mão direita!"
Seu corpo suportou a queima com tal firmeza que pareceu não mexer-se mais que a estaca a qual estava sujeito. Seus olhos estavam fixos no céu, enquanto repetia: "Esta indigna mão direita" durante o tempo que sua voz lhe permitiu, e empregando muitas vezes as palavras de Estevão, "Senhor Jesus, recebe meu espírito", entregou o espírito em meio de uma grande flama.


[1] Principal dos diáconos numa igreja (N. da T.).

Leitura da Bíblia em um ano - parte 37


Êxodo 13
1 E disse o SENHOR a Moisés: 2 “Consagre a mim todos os primogênitos. O primeiro filho israelita me pertence, não
somente entre os homens, mas também entre os animais”.

3 Então disse Moisés ao povo: “Comemorem esse dia em que vocês saíram do Egito, da terra da escravidão, porque o
SENHOR os tirou dali com mão poderosa. Não comam nada fermentado. 4 Neste dia do mês de abibe
a
vocês estão saindo.
5 Quando o SENHOR os fizer entrar na terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus — terra que
ele jurou aos seus antepassados que daria a vocês, terra onde manam leite e mel — vocês deverão celebrar esta cerimônia
neste mesmo mês. 6 Durante sete dias comam pão sem fermento e, no sétimo dia, façam uma festa dedicada ao SENHOR.
7 Comam pão sem fermento durante os sete dias; não haja nada fermentado entre vocês, nem fermento algum dentro do seu
território.
8 “Nesse dia cada um dirá a seu filho: Assim faço pelo que o SENHOR fez por mim quando saí do Egito. 9 Isto lhe será
como sinal em sua mão e memorial em sua testa, para que a lei do SENHOR esteja em seus lábios, porque o SENHOR o tirou
do Egito com mão poderosa. 10 Cumpra esta determinação na época certa, de ano em ano.
11 “Depois que o SENHOR os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus
antepassados, 12 separem para o SENHOR o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos
pertencem ao SENHOR. 13 Resgatem com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiserem resgatá-la,
quebrem-lhe o pescoço. Resgatem também todo primogênito entre os seus filhos.
14 “No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: ‘Que significa isto?’, digam-lhes: Com mão poderosa o SENHOR
nos tirou do Egito, da terra da escravidão. 15 Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o SENHOR matou todos os
primogênitos do Egito, tanto os de homens como os de animais. Por isso sacrificamos ao SENHOR os primeiros machos de
todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos.
16 “Isto será como sinal em sua mão e símbolo em sua testa de que o SENHOR nos tirou do Egito com mão poderosa”.
A Partida dos Israelitas
17 Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais
curto, pois disse: “Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se arrependam e voltem para o Egito”. 18 Assim, Deus fez o
povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho. Os israelitas saíram do Egito preparados para
lutar.
19 Moisés levou os ossos de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando disse: “Deus
certamente virá em auxílio de vocês; levem então os meus ossos daqui”.
20 Os israelitas partiram de Sucote e acamparam em Etã, junto ao deserto.

Números 33
6 Partiram de Sucote e acamparam em Etã, nos limites do deserto.

Êxodo 13

21 Durante o dia o SENHOR ia adiante deles,
numa coluna de nuvem, para guiá-los no caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam
caminhar de dia e de noite. 22 A coluna de nuvem não se afastava do povo de dia, nem a coluna de fogo, de noite.

Êxodo 14
1 Disse o SENHOR a Moisés: 2 “Diga aos israelitas que mudem o rumo e acampem perto de Pi-Hairote, entre Migdol e o
mar. Acampem à beira-mar, defronte de Baal-Zefom.


Números 33
7 Partiram de Etã, voltaram para Pi-Hairote, a leste de Baal-Zefom, e acamparam perto de Migdol.

Êxodo 14
3 O faraó pensará que os israelitas estão vagando confusos, cercados
pelo deserto. 4 Então endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá. Todavia, eu serei glorificado por meio do faraó e de
todo o seu exército; e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR”. E assim fizeram os israelitas.
5 Contaram ao rei do Egito que o povo havia fugido. Então o faraó e os seus conselheiros mudaram de idéia e disseram:
“O que foi que fizemos? Deixamos os israelitas saírem e perdemos os nossos escravos!” 6 Então o faraó mandou aprontar a
sua carruagem e levou consigo o seu exército. 7 Levou todos os carros de guerra do Egito, inclusive seiscentos dos melhores
desses carros, cada um com um oficial no comando. 8 O SENHOR endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este perseguiu
os israelitas, que marchavam triunfantemente. 9 Os egípcios, com todos os cavalos e carros de guerra do faraó, os cavaleiros
b
e a infantaria, saíram em perseguição aos israelitas e os alcançaram quando estavam acampados à beira-mar, perto de Pi-
Hairote, defronte de Baal-Zefom.
A Travessia do Mar
10 Ao aproximar-se o faraó, os israelitas olharam e avistaram os egípcios que marchavam na direção deles. E,
aterrorizados, clamaram ao SENHOR. 11 Disseram a Moisés: “Foi por falta de túmulos no Egito que você nos trouxe para
morrermos no deserto? O que você fez conosco, tirando-nos de lá? 12 Já lhe tínhamos dito no Egito: Deixe-nos em paz!
Seremos escravos dos egípcios! Antes ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto!”
13 Moisés respondeu ao povo: “Não tenham medo. Fiquem firmes e vejam o livramento que o SENHOR lhes trará hoje,
porque vocês nunca mais verão os egípcios que hoje vêem. 14 O SENHOR lutará por vocês; tão-somente acalmem-se”.
15 Disse então o SENHOR a Moisés: “Por que você está clamando a mim? Diga aos israelitas que sigam avante. 16 Erga a
sua vara e estenda a mão sobre o mar, e as águas se dividirão para que os israelitas atravessem o mar em terra seca. 17 Eu,
porém, endurecerei o coração dos egípcios e eles os perseguirão. E serei glorificado com a derrota do faraó e de todo o seu
exército, com seus carros de guerra e seus cavaleiros. 18 Os egípcios saberão que eu sou o SENHOR quando eu for glorificado
com a derrota do faraó, com seus carros de guerra e seus cavaleiros”.
19 A seguir o anjo de Deus que ia à frente dos exércitos de Israel retirou-se, colocando-se atrás deles. A coluna de nuvem
também saiu da frente deles e se pôs atrás, 20 entre os egípcios e os israelitas. A nuvem trouxe trevas para um e luz para o
outro, de modo que os egípcios não puderam aproximar-se dos israelitas durante toda a noite.
21 Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR afastou o mar e o tornou em terra seca, com um forte vento
oriental que soprou toda aquela noite. As águas se dividiram, 22 e os israelitas atravessaram pelo meio do mar em terra seca,
tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
23 Os egípcios os perseguiram, e todos os cavalos, carros de guerra e cavaleiros do faraó foram atrás deles até o meio do
mar. 24 No fim da madrugada, do alto da coluna de fogo e de nuvem, o SENHOR viu o exército dos egípcios e o pôs em
confusão. 25 Fez que as rodas dos seus carros começassem a soltar-se
a
, de forma que tinham dificuldade em conduzi-los. E
os egípcios gritaram: “Vamos fugir dos israelitas! O SENHOR está lutando por eles contra o Egito”.
26 Mas o SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão sobre o mar para que as águas voltem sobre os egípcios, sobre os seus
carros de guerra e sobre os seus cavaleiros”. 27 Moisés estendeu a mão sobre o mar, e ao raiar do dia o mar voltou ao seu
lugar. Quando os egípcios estavam fugindo, foram de encontro às águas, e o SENHOR os lançou ao mar. 28 As águas voltaram
e encobriram os seus carros de guerra e os seus cavaleiros, todo o exército do faraó que havia perseguido os israelitas mar
adentro. Ninguém sobreviveu.
29 Mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
30 Naquele dia o SENHOR salvou Israel das mãos dos egípcios, e os israelitas viram os egípcios mortos na praia. 31 Israel viu o
grande poder do SENHOR contra os egípcios, temeu o SENHOR e pôs nele a sua confiança, como também em Moisés, seu
servo.



Êxodo 15
1 Então Moisés e os israelitas entoaram este cântico ao SENHOR:
“Cantarei ao SENHOR,
pois triunfou gloriosamente.
Lançou ao mar o cavalo
e o seu cavaleiro!
2 O SENHOR é a minha força
e a minha canção;
ele é a minha salvação!
Ele é o meu Deus e eu o louvarei,
é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei!
3 O SENHOR é guerreiro,
o seu nome é SENHOR.
4 Ele lançou ao mar
os carros de guerra
e o exército do faraó.
Os seus melhores oficiais
afogaram-se no mar Vermelho.
5 Águas profundas os encobriram;
como pedra desceram ao fundo.
6 “SENHOR, a tua mão direita
foi majestosa em poder.
SENHOR, a tua mão direita
despedaçou o inimigo.
7 Em teu triunfo grandioso,
derrubaste os teus adversários.
Enviaste o teu furor flamejante,
que os consumiu como palha.
8 Pelo forte sopro das tuas narinas
as águas se amontoaram.
As águas turbulentas
firmaram-se como muralha;
as águas profundas
congelaram-se no coração do mar.
9 “O inimigo se gloriava:
‘Eu os perseguirei e os alcançarei,
dividirei o despojo e os devorarei.
Com a espada na mão,
eu os destruirei’.
10 Mas enviaste o teu sopro,
e o mar os encobriu.
Afundaram como chumbo
nas águas volumosas.
11 “Quem entre os deuses
é semelhante a ti, SENHOR?
Quem é semelhante a ti?
Majestoso em santidade,
terrível em feitos gloriosos,
autor de maravilhas?
12 Estendes a tua mão direita
e a terra os engole.
13 Com o teu amor
conduzes o povo que resgataste;
com a tua força
tu o levas à tua santa habitação.
14 As nações ouvem e estremecem;
angústia se apodera
do povo da Filístia.
15 Os chefes de Edom
ficam aterrorizados,
os poderosos de Moabe
são tomados de tremor,
o povo de Canaã esmorece;
16 terror e medo caem sobre eles;
pelo poder do teu braço
ficam paralisados como pedra,
até que passe o teu povo,
ó SENHOR,
até que passe
o povo que tu compraste
a
.
17 Tu o farás entrar e o plantarás
no monte da tua herança,
no lugar, ó SENHOR,
que fizeste para a tua habitação,
no santuário, ó Senhor,
que as tuas mãos estabeleceram.
18 O SENHOR reinará eternamente”.
19 Quando os cavalos, os carros de guerra e os cavaleiros
a
do faraó entraram no mar, o SENHOR fez que as águas do mar se
voltassem sobre eles, mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca. 20 Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão,
pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando. 21 E Miriã lhes respondia, cantando:
“Cantem ao SENHOR,
pois triunfou gloriosamente.
Lançou ao mar o cavalo
e o seu cavaleiro”.
As Águas de Mara e de Elim
22 Depois Moisés conduziu Israel desde o mar Vermelho até o deserto de Sur. Durante três dias caminharam no deserto
sem encontrar água.




Números 33
8 Partiram de Pi-Hairote e atravessaram o mar, chegando ao deserto, e, depois de viajarem três dias no deserto de Etã,
acamparam em Mara.


Êxodo 15
23 Então chegaram a Mara, mas não puderam beber das águas de lá porque eram amargas. Esta é a razão
porque o lugar chama-se Mara. 24 E o povo começou a reclamar a Moisés, dizendo: “Que beberemos?”
25 Moisés clamou ao SENHOR, e este lhe indicou um arbusto. Ele o lançou na água, e esta se tornou boa.
Em Mara o SENHOR lhes deu leis e ordenanças, e os colocou à prova, 26 dizendo-lhes: “Se vocês derem atenção ao
SENHOR, o seu Deus, e fizerem o que ele aprova, se derem ouvidos aos seus mandamentos e obedecerem a todos os seus
decretos, não trarei sobre vocês nenhuma das doenças que eu trouxe sobre os egípcios, pois eu sou o SENHOR que os cura”.
27 Depois chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto àquelas águas.


Números 33
9 Partiram de Mara e foram para Elim, onde havia doze fontes e setenta palmeiras, e acamparam ali.
10 Partiram de Elim e acamparam junto ao mar Vermelho.
11 Partiram do mar Vermelho e acamparam no deserto de Sim.